Audiência e Relevância
Segunda-feira, Julho 20th, 2009Todos nós, profissionais de propaganda, em algum momento, vivenciamos o conflito entre audiência e relevância. Há duas semanas o Cruzeiro Esporte Clube, tradicional time de futebol de Belo Horizonte, disputou partida pela final da Copa Libertadores da América, contra o Estudiantes de La Plata, na Argentina. Quando esse artigo for publicado já saberemos quem é o novo campeão das Américas, depois da partida “de volta” em Belo Horizonte, dia 15 de julho.
Mas vale a história de que na quarta-feira, dia 8 de julho, a principal emissora de televisão do Brasil, optou por apresentar um jogo sem nenhuma importância entre Corinthians e Fluminense, a apresentar a primeira partida da final do principal campeonato das Américas e o fez amparada da lógica burra que favorece a audiência em detrimento da relevância.
Ao apresentar um jogo sem nenhuma importância não só para aqueles que não torcem para um dos dois times, mas e principalmente, para quem é corinthiano ou “pó de arroz”, a principal TV brasileira presta um desserviço à população brasileira, incompatível com sua condição de concessionária de um serviço público.
O jogo entre o Cruzeiro e o Estudiantes foi o começo da disputa final de um campeonato que desde fevereiro reúne, nada menos, do que 5 times brasileiros entre um universo de equipes de todos os países da América do Sul e ainda os representantes do México. Durante os últimos 6 meses equipes de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Minas Gerais se dedicaram pelo direito de disputar o título de campeão do mundo com o Barcelona em Tóquio em dezembro.
Ter um brasileiro na final é uma vitória sobre a hegemonia argentina na competição. Mas tudo indica que as ameaças às hegemonias não é assunto da predileção da líder de audiência, que se mantém nesse status graças às opções que faz exclusivamente pela quantidade de aparelhos sintonizados na emissora, independente das opções mais relevantes que se apresentam.
As críticas a uma programação orientada exclusivamente pela audiência é uma constante na crônica televisiva no Brasil e, em casos como esse, é pertinente a reflexão. Não há comparação entre a motivação das duas partidas, não há justificativa em se abrir mão de uma final de Libertadores da América com participação de time brasileiro para se assistir o quase “amistoso” entre cariocas e paulistas.
Se o mercado publicitário não se manifestar sobre esse tipo de orientação, os controladores da programação correm o risco de se sentirem corretos em suas desvairadas decisões. É papel das agências e dos anunciantes alertarem os veículos de comunicação sobre os desvios de propósitos de suas opções. Quem financia a programação deve estar atento à conduta dos veículos e acusarem os desvios de propósitos da programação. Somos atacados como profissionais porque somos omissos em casos como esse. Os consumidores devem ser tratados com respeito e respeito, nesse caso, é privilegiar a relevância da programação, mesmo que isso signifique alguns pontos a menos na audiência. Somente dessa forma estaremos contribuindo para o aprimoramento da sociedade brasileira.












