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Soy latinoamericano e nunca me esquecerei de você

Sexta-feira, Maio 22nd, 2009

Na década de 70 havia um programa de televisão chamado Som Brasil na Rede Globo onde, com muita freqüência, se apresentava um rapaz que tocava trompete e entoava “Soy latino americano e nunca me engano…e nunca me engano.” O nome dele: Zé Rodrix.



Eu não entendia muito bem porque o fato de sermos latinos americanos nos isentava do engano. Pelo contrário, na época considerava a América Latina um grande engano com seus regimes ditatoriais e militares de óculos escuros. Mas me encantava o swing do Zé e, principalmente, o fato dele tocar trompete e cantar. Por isso o Soy latino americano rapidamente entrou no meu repertório do violão.

Nos anos 90, meu repertório no violão não havia sofrido grandes alterações, portanto era importante ensaiar outros caminhos profissionais longe dos palcos. Eu trabalhava em uma editora e me impressionava o sucesso do Paulo Coelho. Ansioso por lançar livros de sucesso, procurei cantores que reproduzissem a trajetória do Paulo Coelho e não foi difícil chegar ao Zé. Uma amiga providenciou o encontro e lá fui eu conhecer pessoalmente o homem que, sem vergonha, se denominava latino americano.

A empatia foi total e a idéia de lançar o Zé Rodrix como escritor foi muito bem recebida afinal, ele mesmo há alguns anos atrás já havia citado uma tal casa de campo “onde eu possa plantar meus amigos, meus livros e discos e nada mais.”.

Não lancei nenhum livro do Zé, apesar dele ter escrito dois depois do nosso primeiro encontro, mas conheci mais e melhor o meu ídolo de infância, parceiro de Tavito, Sá e Guarabira. Convivi com o Zé Rodrix publicitário.

Jinglero de talento e de sucesso o Zé fez parte da história do Fest’up – Festival Universitário de Propaganda, evento promovido pela APP – Associação dos Profissionais de Propaganda, e é um dos responsáveis pelo Festival de Jingles que ocorre dentro de sua programação.

O Zé Rodrix foi diretor da APP em muitas gestões e me espantava sua consciência corporativa a favor de uma categoria valorizada. Era defensor de uma postura mais agressiva junto ao mercado e frente aos profissionais que não eram filiados a entidade.

Foi o Mestre de Cerimônia de mais de 10 festas de premiação do Prêmio Contribuição Profissional APP e, nessas ocasiões, tínhamos como habito reservar uma mesa para nós, um time formado por mim, Ricardo Ramos (ex-presidente da APP) e Zé Rodrix.

Nos meus mais delirantes sonhos de criança, não imaginei me sentar à mesa, bater-papo e ser amigo do rapaz do trompete que cantava no programa Som Brasil, nem tão pouco que um dia teria de me despedir dele. Logo eu que achei que, assim como o Zé Rodrix, eu nunca me engano.

A fórmula do sucesso e o doce sabor do autoritarismo

Segunda-feira, Abril 13th, 2009

A atual fórmula do sucesso para garantir espaço na mídia brasileira é falar que todos os males que afligem o Brasil tem origem na atividade publicitária.

A equação é simples. Primeiro se seleciona um tema de grande apelo social, por exemplo, as bebidas alcoólicas, a obesidade infantil, a violência dos adolescentes etc… Depois se procura na internet uma tese acadêmica que aborde o tema. Não interessa o pesquisador, seu orientador, a escola em que estuda ou onde ela fica. O que interessa é malhar a propaganda. Sim, caso o leitor não saiba, todas as teses acadêmicas, de mestrado ou doutorado, que abordam temas de grande sensibilidade junto à sociedade brasileira, trazem um capítulo sobre propaganda e sua influência maléfica sobre as pessoas.

Dessa forma, temos o tema e um pesquisador. Mas ainda está faltando um elemento para completar a equação do sucesso e o espaço garantido na mídia. Então, que tal um militante de ONG?

Essas são figuras fáceis. Sempre dispostos a emitir uma opinião, ainda mais quando acompanhados do pesquisador, não se furtam de responsabilizar a propaganda como provedora dos infortúnios brasileiros.

Resta ainda a participação de um parlamentar e isso nós temos de sobra no Brasil. São 513 Deputados Federais e 81 Senadores e dentre essas 594 pessoas, sempre existe uma disposta a endossar o coro do pesquisador e da ONG.

Está pronto o sarapatel. T+P+MP+PP= EM. Ou seja, Tema + Pesquisador + Militante Profissional + Político Profissional é igual a Espaço na Mídia. E como tem espaço na mídia para as besteiras que se fala sobre propaganda! Todo o dia tem um “paladino da justiça” para dizer o que a população brasileira pode ou não pode assistir e tudo em nome da preservação do estado emocional da criança que não pode ver na televisão, o que é obrigada a vivenciar, todos os dias, nas ruas brasileiras.

Não podemos mais aceitar esse tipo de situação. A proteção à criança não é prerrogativa de meia dúzia de interesseiros dispostos a ganhar dinheiro com o discurso fácil contra a propaganda. A atividade publicitária é um assunto sério que não pode ficar a reboque do pensamento totalitário e reacionário das ONGs ávidas por financiamento para a produção de pseudos estudos sobre a influência da publicidade.

Antes de embarcar na canoa mal intencionada das ONGs que protegem as crianças da propaganda (vejam o absurdo), procurem saber quem está por trás dessas organizações e não se surpreendam em encontrar os mesmos atores que promoveram e apoiaram no Brasil, por mais de 20 anos, o cerceamento das liberdades através da ditadura militar, tendo como argumento a preservação dos valores da sociedade. Igualzinho como agora.