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O verdadeiro estelionato II

Segunda-feira, Setembro 7th, 2009

Quanto mais esquenta a briga entre a TV Globo e a TV Record, mais nós, profissionais de propaganda precisamos refletir sobre as verdadeiras motivações das emissoras e aproveitar o vacilo das duas empresas para convencermos os anunciantes que a concentração de verbas na televisão é uma perda de tempo e dinheiro.

Perde-se tempo porque se financia a baixaria. Isso mesmo, todos os anunciantes do Jornal Nacional, inclusive seu patrocinador, a Sadia, estão pagando para que a TV Globo fale mal da Igreja Universal, seus dirigentes e da TV mantida por ela. Esse financiamento é privado, portanto não há como condenar os anunciantes que bancam as denúncias a não ser deixando de comprar seus produtos.

Por exemplo, se o singelo presunto do café da manhã ou do lanche da tarde, lhe parecer feito com a mesma raiva com que os apresentadores do Jornal Nacional dissertam sobre as questões da TV Record, deixe de comer esse presunto porque ele, com certeza, lhe fará mal.

O ‘S’ de Sadia, pode ser o mesmo ‘S’ de socos, de sopapos, de suborno, de surrupiar enfim, de sacanagem que é exatamente o que as duas concessões públicas fazem nos últimos dias com você espectador, financiadas pelas marcas que você leva para a casa. Pois deixe de levá-las.

Exerça seu poder de dizer não para a baixaria, não compre as marcas que financiam a fofoca e a intriga em detrimento da informação e do entretenimento.

O mais impressionante nesse cenário de guerra suja, é o fato das agências e dos anunciantes não se manifestarem a respeito do desrespeito com os dinheiros investidos nas emissoras. Milhões de reais deixam de ser destinados para plataformas muito mais eficientes (isso mesmo, mais eficientes que a televisão) para alimentar um fuxico de comadres. Querem ver como as comadres param de brigar? Parem de financiar. E é isso mesmo que o mercado publicitário deveria fazer.

Mas não faz, porque é covarde quando se trata das gigantescas verbas publicitárias envolvidas e dos conseqüentes ganhos advindos da compra de espaço publicitário na televisão. Há tempos esse investimento perde em eficiência mas ganha em recursos. Uma conta invertida, sustentada por um mercado hegemônico que não consegue se sustentar sem os recursos da televisão.

Pois é hora do mercado publicitário, agências e anunciantes, se reinventarem, porque a briga é um sinal dos tempos, ou melhor, da decadência da televisão entrincheirada nos resultados dos últimos 20 anos e com dificuldades de se modernizar. Restaram as brigas “chavistas”, factóides sem nenhum valor que hoje ocupam lugar de coisa verdadeiramente séria. Esse é, de novo, o verdadeiro estelionato.

O verdadeiro estelionato

Segunda-feira, Agosto 17th, 2009

Quando esse artigo for publicado já terão acontecido outros rounds da batalha entre a TV Globo e a TV Record, mas nosso poder de prever o futuro aponta para uma sucessão de ignorâncias, por isso não precisamos nos preocupar com o tempo das bestialidades, Globo e Record defendem que qualquer hora é hora para sabotar a inteligência do consumidor e assim o fazem.

Tudo parecia tranqüilo no reino da Dinamarca, seja lá onde for isso. A Globo não dava mostras de estar incomodada com a disputa pelas estrelas de nenhuma grandeza em que se envolveram SBT e Record. Impávida do alto de seus índices de audiência, a líder se limitava a praticar seu esporte preferido: “garfar” toda a verba disponível no mercado publicitário brasileiro.

Mas tudo era só aparência. Com dificuldades em conquistar seu pleito em estabelecer que toda a verba existente no mercado só tem razão de ser se estiver sob seu domínio, a Vênus Platinada (era assim que a Globo era chamada nos idos de 80) desferiu um golpe de morte sobre sua concorrente e como todo o golpe desse gênero, não permite desculpas ou arrependimentos.

Ainda sabemos pouco de onde teria saído a ordem para, no principal telejornal da emissora, atacar a TV Record. O casal apresentador do telejornal pretensamente nacional apresentou as armas, não deixou espaço para concessões e taxou toda a diretoria da concorrente de estelionatários.

Algo pouco elegante e aparentemente motivado por alguns ridículos pontos de audiência que migraram para A Fazenda da TV Record. Não é a primeira vez que observamos a miopia da Globo em relação à fuga de audiência para a concorrência. Nesse ano mesmo e alvo de um artigo nesse Bloganda – Relevância e Audiência – a emissora optou por transmitir jogos de futebol de pouca importância em detrimento da final da Taça Libertadores da América que envolvia um time de Belo Horizonte e teve seu jogo final em território brasileiro.

Na ocasião alertamos para o fato dos anunciantes se posicionarem contrariamente a orientação de privilegiar a qualquer custo a audiência. Patrocinadores compram além dos aparelhos de televisão ligados. Compram valores que podem ser agregados à sua marca. Em nada agrega a briga intestina entre as duas emissoras. Pelo contrário, ela estimula um tipo de jornalismo que há muito evitamos e desrespeita o consumidor.

Enquanto a TV Globo admitir o vale tudo da audiência será difícil evitar a sangria de telespectadores da TV aberta para outros formatos e assim que os patrocinadores perceberem que as acusações não agregam em nada suas marcas, orientarão suas verbas para outros meios, pois não vão aceitar serem vitimas desse sim verdadeiro estelionato.