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O silêncio do Bloganda

Segunda-feira, Julho 6th, 2009

Não sei se vocês perceberam, mas o Bloganda ficou em silêncio por uma semana. E como toda a semana que se preza, essa última também apresentou seus eventos que, bons ou ruins, fazem o dia a dia do profissional de propaganda.

Vamos começar registrando a morte prematura do publicitário, diretor de arte, Tomás Lorente, uma baixa para a propaganda brasileira. O Tomás, com certeza, ainda tinha muito o que criar para nós podermos admirar.
Outro assunto na pauta foi o resultado do Brasil em Cannes. A imprensa especializada se esforça em análises pretensamente embasadas para dizer que foi uma merda, mas foi bom, ao contrário do ano passado que teria sido bom, mas foi uma merda. Bobagem.

Cannes é um festival e como todo o festival reflete o conjunto da produção de um período muito curto, um ano. A propaganda brasileira vive uma decadência superior a um ano. Há muito fazemos uma propaganda medíocre.

Os críticos, que não são poucos, se esmeram na crítica do produto, mas se esquivam em apontar as causas da carência criativa que atinge a propaganda brasileira. Pois aí vão alguns motivos que me vêem a cabeça:

- as agências abriram mão do produto e focaram suas atividades no negócio. O ideal é o equilíbrio entre produto e negócio, quando isso acontece, os resultados aparecem, exemplo disso no Brasil são a NeogamaBBH e a AlmapBBDO. Só.

- os profissionais de propaganda são despreparados. Medrosos em perder seus empregos não assumem riscos, não ousam e pior, se submetem aos caprichos de anunciantes tão despreparados e medrosos quanto. Conclusão, uma sucessão de mediocridade.

- os veículos vivem em estado pré falimentar constante, mal conseguem pagar suas contas, quanto mais, investir em profissionais ou inovação. Os veículos dependem das verbas públicas para sobreviver e para isso não é necessário talento, só contato político.

Esses são alguns dos causadores da nossa crise e se aliam ainda à prepotência das supostas lideranças, à hegemonia dos veículos de comunicação, à falta de crítica por parte da universidade, ao silêncio dos profissionais talentosos e mais uma infinidade de outros fatores.

Há algumas semanas escrevemos sobre a morte da Gazeta Mercantil e a necessidade de deixar que as marcas morram em paz. A marca Michael Jackson morreu, de fato, há muitos anos e, em minha opinião, em paz. O que presenciamos há uma semana é a tentativa de fazê-la ressuscitar amparada pelo desaparecimento físico de seu criador, o próprio Michael Jackson. Coisas do nosso tempo!

Não salvem a Gazeta Mercantil. Deixem que ela morra em paz.

Segunda-feira, Junho 15th, 2009

Parem de dar sobrevida às instituições que já cumpriram o seu papel e que já podem, por estarem verdadeiramente mortas, serem definitivamente enterradas.

Para rivalizar com as novelas em cartaz na televisão brasileira estreou na última semana o dramalhão Gazeta Mercantil. É uma sucessão de dramalhões que de tempos em tempos assolam nossos pacatos dias. Foi assim com a Varig, com o Mappin, com a Mesbla, com a Casa Centro, com a Arapuã e com uma infinidade de marcas que exerceram seu direito, sagrado, de morrer em paz.

Não há salvação para a morte dos humanos e não há salvação para as mortes corporativas. Elas são inevitáveis e, pasmem, necessárias. Empresas morrem porque não resistem aos desmandos de seus gestores e quando isso ocorre não há o que fazer.

Impossível resistir ao ímpeto destruidor do Sr. Rubel Tomas, Presidente da Varig no inicio da década de 90 o que simplesmente levou a empresa a um colapso total. Também bastante instigante competir em matéria de incompetência empresarial com o Senhor Mansur que de uma tacada só, nos privou do Mappin, da Mesbla e de algumas outras empresas sob seu comando.

Muitas empresas morreram e ainda vão morrer no Brasil e no resto do mundo. Em paralelo à Gazeta Mercantil, outra GM está às portas da morte. A GM americana, dos carros, não tem salvação. Nem o Barak Obama com toda sua boa vontade consegue evitar o mal maior, a morte.

No entanto o Presidente americano consegue retardar o fato e aumentar o sofrimento da moribunda. Assim como nos seres humanos, os processos administrativos e as técnicas gerenciais conhecem instrumentos para retardar o fim eminente.

O que dizer da Varig. A “nossa” Varig, orgulho nacional, a verdadeira embaixada brasileira em terras de além mar, não teve um fim digno de sua história e como uma alma penada voa pelos céus brasileiros sob o controle (sic) de uma operação que leva no nome o orgasmo nacional, Gol.

Sem dúvidas, uma sucessão de equívocos que não respeitaram a história da empresa, seu prestígio e seus fiéis consumidores, submetidos a um arremedo de empresa.

O mesmo acontecerá com a Gazeta Mercantil. Um dos símbolos da imprensa especializada brasileira. Um orgulho para seus colaboradores, leitores e anunciantes. Recordo, com carinho, das poucas, mas valiosas vezes em que estive em suas páginas e da repercussão que isso causava no mercado publicitário. Também recordo dos inúmeros anúncios que, como dirigente de agência de publicidade, tive a oportunidade de encaminhar às suas páginas e o maravilhoso retorno que isso trazia para os meus clientes.

Isso acabou. Tentar levantar esse defunto é um ato desumano, naquilo mais humano que as empresas têm que é o cuidado com seu nome. As disputas que sucedem os processos de ressurreição de qualquer empresa é um serviço a favor dos empresários inescrupulosos que em nada engrandecem nosso mercado e pior se aproveitam do momento para faturar ainda mais.

Levys e Tanures não são dignos da grandiosidade da Gazeta Mercantil, por isso deveriam deixar que ela morra em paz e viva como lembrança na mente de uma geração de publicitários brasileiros.