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O Rutênio está demitido. Estamos todos vingados

Segunda-feira, Maio 4th, 2009

Quantas inglesas feias cantam? Todas. E quantas cantam bem? A que foi descoberta por um desses realities show que fazem o delírio dos espectadores no mundo todo e que têm como destaque seus apresentadores, os verdadeiros protagonistas do espetáculo.

Depois de uma semana inteira ouvindo, e pior, vendo uma inglesa esquisitíssima gritar em um palco para delírio da platéia e de uma comissão julgadora remunerada para ter todas aquelas reações, nosso aprendiz de feiticeiro tupiniquim, o Roberto Justos, também cumpriu seu papel social, demitiu o Rutênio.

O Rutênio foi demitido na última terça feira, dia 28 no reality show Aprendiz 6 – Universitário, onde competem estudantes do Brasil inteiro por uma oportunidade profissional em uma das empresas do empresário Roberto Justus, presidente da Newcom e principal executivo da maior agência de propaganda do mercado brasileiro, a Y&R.

O programa, exibido pela TV Record é um exemplo de qualidade em todos os aspectos, com destaque especial para a atuação de Justus. Nessa edição, o publicitário tem superado as expectativas com uma performance na medida certa entre o chefe exigente e o orientador cordial.

Na semana anterior, em uma decisão que transgride o regulamento, Roberto Justus demitiu, sem os ritos usuais, um participante que questionou os métodos do programa. Com essa atitude o publicitário apresentador demonstrou controle sobre a situação e forneceu mais lenha para a sexta edição do programa.

Mas e o Rutênio? Tão feio quanto a inglesa, com um carregado sotaque e pouca (ou nenhuma) classe no trato com as pessoas, principalmente com as mulheres, Rutênio caiu em desgraça quando escreveu uma carta repleta de erros de português para a líder da semana, com orientações de como ela deveria se comportar na liderança.

Rutênio errou tantas vezes que decidi tratá-lo nesse Bloganda. Em primeiro lugar, a liderança é uma decisão colegiada das equipes, em sistema de rodízio. As equipes são compostas, nessa fase do programa, por 6 participantes, portanto, a atitude do Rutênio de escrever uma carta para a líder é uma demonstração de prepotência. Ao escrever, o candidato registrou sua contrariedade e, a partir daí, evitou os conflitos naturais advindos das diferentes opiniões entre as pessoas. Rutênio pensou em utilizar seu manuscrito para livrar-se de possíveis responsabilidades pelo fracasso do grupo, algo parecido com o “Eu avisei!”.

Pois o “Eu avisei!” é uma das piores atitudes que um profissional pode tomar. Ao se trabalhar em grupo e, principalmente, em prol de um grupo, as contrariedades devem ser debatidas e o processo de convencimento tem que ser integral. Rutênio não estava convencido das decisões e não procurou se convencer. Ele encontrou o caminho mais curto e covarde, registrou suas opiniões em um papel e na hora da cobrança soltou o seu “Eu avisei!”.

O fato é que a carta do Rutênio era uma demonstração de analfabetismo crônico. Um amontoado de palavras desconexas, como suas idéias, escritas em uma grafia que, segundo o candidato, era português. Pois não era.

Rutênio é um analfabeto prepotente, uma casta que sobrevive no Brasil a custa dos beneplácitos de professores irresponsáveis e instituições mercantilistas. Reputou seus erros a pouca iluminação da suíte que os participantes do programa ocupam em um hotel de luxo na capital paulista.

Eu conheço centenas de Rutênios. Jovens prepotentes, sem formação intelectual ou bagagem cultural que desafiam a lei da natureza ao ascenderem na escola até as universidades. Vocês conhecem os Rutênios das suas classes. Pessoas despreparadas que expõe suas opiniões em discussões estéreis com os professores e no dia da apresentação final do trabalho de conclusão de curso para a Banca Examinadora, questionam os julgadores que identificam sua mediocridade.

Não satisfeito em expor suas deficiências pessoais em rede nacional de televisão, Rutênio afirmou que a participante líder de seu grupo na prova, “não gosta de pensar”. Típica atitude de Rutênios.

Nas nossas vidas profissionais vamos encontrar muitos Rutênios no caminho e nossa tendência será protegê-los e em alguns casos temê-los. Roberto Justus e o seu Aprendiz fizeram um favor para a vida coorporativa brasileira. Expuseram a ignorância do Rutênio ridicularizando-o em público e descartaram a desprezível figura. Rutênios vocês estão demitidos.

Veja o 6º episódio: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

O verdadeiro líder do mercado

Segunda-feira, Abril 27th, 2009

A pesquisa publicada na edição de aniversário da revista Meio & Mensagem indicando o publicitário Nizan Guanaes como o principal líder do mercado publicitário brasileiro é o mesmo do que os pacientes votarem no líder dos médicos e os encarcerados votarem no líder dos advogados.

Resisti ao tema por 3 longas semanas, mas em um almoço entre amigos do Grupo ABC, conglomerado de empresas lideradas (essas sim) pelo publicitário Nizan Guanaes o assunto surgiu e ao expor minha opinião sobre a fragilidade da pauta e seu viés, percebi que os amigos, funcionários do líder (deles sim) ficaram contrariados com minha opinião.

Defendem, os apoiadores da liderança de Nizan Guanaes, que os anunciantes pensam dessa maneira e que isso é a verdadeira liderança, àquela concedida pelos anunciantes. Discordo. Isso está mais para dor de corno de anunciante do que liderança. Se o Banco Bradesco não pode ter sua conta publicitária atendida pelas agências que compõe o Grupo ABC porque estas já estão comprometidas com o Bando Itaú, esse desejo, não resolvido, não significa liderança, significa admiração.

O resultado correto da pesquisa então, é sobre o publicitário mais admirado do Brasil, e nesse quesito Nizan Guanaes tem o meu voto. Nossa admiração pelo seu talento e competência não o transforma em líder de categoria profissional. Pelo contrário, o publicitário não está nas grandes discussões sobre os assuntos que mobilizam os publicitários como atividade organizada desde 1927.  Não conhecemos sua opinião sobre a regulamentação da profissão, sobre as constantes agressões a auto-regulamentação publicitária, sobre o Projeto de Lei que regula os serviços de propaganda para a administração pública enfim, fora do que está nas revistas de fofocas, pouco sabemos sobre o que Nizan Guanaes pensa. Isso não é liderança.

Em meados de 2008, Nizan Guanaes foi protagonista de uma constrangedora discussão com outro publicitário, Fábio Fernandes (quinto colocado na pesquisa da revista Meio & Mensagem). Na ocasião, com sua forma pouco cortes, fez críticas aos publicitários preocupados com o resultado do produto da propaganda e não com o resultado do negócio da propaganda. Foi, em minha opinião, a primeira pessoa a falar sobre a crise que se avizinhava.

Pois nem essa visão o transforma em liderança de uma categoria profissional que necessita de menos opinião dos anunciantes e mais atividade corporativa junto aos egressos das universidades brasileiras. O que pensam os anunciantes é importante para a construção da relação de trabalho com a agência, mas está distante de significar qualquer tipo de paradigma para os publicitários como categoria profissional.

A verdadeira liderança dos publicitários está em profissionais que tem atuação corporativa independente de suas atividades empresariais. Entre esses se destaca o publicitário Luiz Lara, futuro Presidente da ABAP – Associação Brasileira das Agências de Publicidade. O Luiz Lara sabe dividir perfeitamente seu papel de liderança corporativa com suas funções como Presidente da Lew,Lara/TBWA. Sabemos quando ele está defendendo nossa categoria e quando está defendendo seus interesses pessoais.

A trajetória do Nizan Guanaes é uma das mais brilhantes histórias da propaganda brasileira e está ainda longe do fim, portanto se ele quiser fazer jus ao título que os anunciantes lhe deram é bom começar a trabalhar para separar seu ímpeto empreendedor, dos verdadeiros interesses dos publicitários. Se conseguir fazer esse trajeto nós, profissionais de propaganda, teremos uma das melhores lideranças da qual vamos poder nos orgulhar.