Posts Tagged ‘Michael Jackson’

This is it

Terça-feira, Novembro 17th, 2009

O filme dos ensaios do show que Michael Jackson faria em Londres é mais do que uma aula, é um curso completo de marketing, portanto é recomendável que todo o futuro profissional de propaganda o assista.

Na última semana, crédulo de que a Sony faria o que disse que ia fazer ao exibir o filme This is it somente por duas semanas, fui ao cinema. Confesso que minha motivação foi o fato de poder ver uma obra que, a parte piratarias, só pode ser assistida nos cinemas.

Superei todas as minhas expectativas. O filme é genial, como dizem os fãs de seu principal protagonista, o rei do pop, Michael Jackson. A idéia aparentemente era fazer um making of, parte integrante dos extras do DVD do show, caso esse tivesse acontecido. O fato é que Michael morreu antes de estrear o show, e as singelas captações, figurantes da obra maior, se transformaram em protagonistas de um filme diferente.

A primeira diferença é que o filme não conta uma história e não tem essa pretensão. As captações foram feitas em alguns poucos dias, delatados pela repetição de roupas, e mostra o metódico trabalho de construção de um mega espetáculo musical.

O diretor é o competente Ortega, o mesmo do High School Musical, que em duas horas desconstroi qualquer percepção que se tem da relação entre diretores e dirigidos. Ortega é respeitador do talento de Michael e de suas competências. É cortês no trato. Pede por favor, ouve as opiniões alheias e agradece todos, a todos os momentos. Em um que, particularmente me chamou atenção, pede para que o cantor se segure ao ser içado por uma gigantesca grua.

As câmeras colocadas nas extremidades do palco e em alguns momentos em cima dele acompanhando o cantor, não tinham mais do que a função de captar momentos do exaustivo trabalho que cerca a preparação de uma apresentação musical de padrão internacional. Pois essas imagens foram montadas em uma seqüência agradável e envolvente, sem preocupações cronológicas. Não interessa aos espectadores saberem quando aconteceu e sim, o que aconteceu. A principal informação não é do filme e sim da vida. Michael morreu dias depois das filmagens, como todos sabem.

O filme relembra uma linguagem muito usada pela propaganda, uma seqüência de imagens que repercutem em boas sensações para a audiência. Tenho saudades da propaganda assim, sem muitas pretensões, sem maneirismos, sem recursos extravagantes, apenas uma idéia bem contada.

O Michael Jackson é um tipo. Poderia rotulá-lo como esquisito. Seu rosto parece deformado, seu cabelo é um emaranhado, por vezes liso, em outras crespo. Seus gestos são afetados a ponto de pairar dúvidas sobre a que gênero pertence. Nada disso macula seu enorme talento, captado de forma integra. Ali está um Michael completo, exatamente tudo o que todos sempre cobraram dele.

Há alguns anos, assistimos estarrecidos, os cabelos de Michael Jackson pegando fogo durante a filmagem de um anúncio da Pepsi-Cola, uma das empresas que utilizou a imagem do artista. Depois desse dia, aparentemente, nada foi igual a antes e muito se especulou sobre os efeitos do acidente. Além dos resultados visíveis sobre suas madeixas a experiência serviu para por em dúvida a validade do uso da franquia MJ. Agora, depois de morto, estrelando um filme de sucesso a questão volta à tona. Michael continua sendo dos mais importantes artistas Pop do nosso tempo, capaz de transformar uma descompromissada filmagem de ensaios em um clássico do cinema documentário.

Quem sabe faltou aos profissionais de marketing identificarem o ambiente ideal para a exploração de sua imagem, fora dos padrões em todos os sentidos, mas principalmente pela sua extrema genialidade.

O silêncio do Bloganda

Segunda-feira, Julho 6th, 2009

Não sei se vocês perceberam, mas o Bloganda ficou em silêncio por uma semana. E como toda a semana que se preza, essa última também apresentou seus eventos que, bons ou ruins, fazem o dia a dia do profissional de propaganda.

Vamos começar registrando a morte prematura do publicitário, diretor de arte, Tomás Lorente, uma baixa para a propaganda brasileira. O Tomás, com certeza, ainda tinha muito o que criar para nós podermos admirar.
Outro assunto na pauta foi o resultado do Brasil em Cannes. A imprensa especializada se esforça em análises pretensamente embasadas para dizer que foi uma merda, mas foi bom, ao contrário do ano passado que teria sido bom, mas foi uma merda. Bobagem.

Cannes é um festival e como todo o festival reflete o conjunto da produção de um período muito curto, um ano. A propaganda brasileira vive uma decadência superior a um ano. Há muito fazemos uma propaganda medíocre.

Os críticos, que não são poucos, se esmeram na crítica do produto, mas se esquivam em apontar as causas da carência criativa que atinge a propaganda brasileira. Pois aí vão alguns motivos que me vêem a cabeça:

- as agências abriram mão do produto e focaram suas atividades no negócio. O ideal é o equilíbrio entre produto e negócio, quando isso acontece, os resultados aparecem, exemplo disso no Brasil são a NeogamaBBH e a AlmapBBDO. Só.

- os profissionais de propaganda são despreparados. Medrosos em perder seus empregos não assumem riscos, não ousam e pior, se submetem aos caprichos de anunciantes tão despreparados e medrosos quanto. Conclusão, uma sucessão de mediocridade.

- os veículos vivem em estado pré falimentar constante, mal conseguem pagar suas contas, quanto mais, investir em profissionais ou inovação. Os veículos dependem das verbas públicas para sobreviver e para isso não é necessário talento, só contato político.

Esses são alguns dos causadores da nossa crise e se aliam ainda à prepotência das supostas lideranças, à hegemonia dos veículos de comunicação, à falta de crítica por parte da universidade, ao silêncio dos profissionais talentosos e mais uma infinidade de outros fatores.

Há algumas semanas escrevemos sobre a morte da Gazeta Mercantil e a necessidade de deixar que as marcas morram em paz. A marca Michael Jackson morreu, de fato, há muitos anos e, em minha opinião, em paz. O que presenciamos há uma semana é a tentativa de fazê-la ressuscitar amparada pelo desaparecimento físico de seu criador, o próprio Michael Jackson. Coisas do nosso tempo!