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Não salvem a Gazeta Mercantil. Deixem que ela morra em paz.

Segunda-feira, Junho 15th, 2009

Parem de dar sobrevida às instituições que já cumpriram o seu papel e que já podem, por estarem verdadeiramente mortas, serem definitivamente enterradas.

Para rivalizar com as novelas em cartaz na televisão brasileira estreou na última semana o dramalhão Gazeta Mercantil. É uma sucessão de dramalhões que de tempos em tempos assolam nossos pacatos dias. Foi assim com a Varig, com o Mappin, com a Mesbla, com a Casa Centro, com a Arapuã e com uma infinidade de marcas que exerceram seu direito, sagrado, de morrer em paz.

Não há salvação para a morte dos humanos e não há salvação para as mortes corporativas. Elas são inevitáveis e, pasmem, necessárias. Empresas morrem porque não resistem aos desmandos de seus gestores e quando isso ocorre não há o que fazer.

Impossível resistir ao ímpeto destruidor do Sr. Rubel Tomas, Presidente da Varig no inicio da década de 90 o que simplesmente levou a empresa a um colapso total. Também bastante instigante competir em matéria de incompetência empresarial com o Senhor Mansur que de uma tacada só, nos privou do Mappin, da Mesbla e de algumas outras empresas sob seu comando.

Muitas empresas morreram e ainda vão morrer no Brasil e no resto do mundo. Em paralelo à Gazeta Mercantil, outra GM está às portas da morte. A GM americana, dos carros, não tem salvação. Nem o Barak Obama com toda sua boa vontade consegue evitar o mal maior, a morte.

No entanto o Presidente americano consegue retardar o fato e aumentar o sofrimento da moribunda. Assim como nos seres humanos, os processos administrativos e as técnicas gerenciais conhecem instrumentos para retardar o fim eminente.

O que dizer da Varig. A “nossa” Varig, orgulho nacional, a verdadeira embaixada brasileira em terras de além mar, não teve um fim digno de sua história e como uma alma penada voa pelos céus brasileiros sob o controle (sic) de uma operação que leva no nome o orgasmo nacional, Gol.

Sem dúvidas, uma sucessão de equívocos que não respeitaram a história da empresa, seu prestígio e seus fiéis consumidores, submetidos a um arremedo de empresa.

O mesmo acontecerá com a Gazeta Mercantil. Um dos símbolos da imprensa especializada brasileira. Um orgulho para seus colaboradores, leitores e anunciantes. Recordo, com carinho, das poucas, mas valiosas vezes em que estive em suas páginas e da repercussão que isso causava no mercado publicitário. Também recordo dos inúmeros anúncios que, como dirigente de agência de publicidade, tive a oportunidade de encaminhar às suas páginas e o maravilhoso retorno que isso trazia para os meus clientes.

Isso acabou. Tentar levantar esse defunto é um ato desumano, naquilo mais humano que as empresas têm que é o cuidado com seu nome. As disputas que sucedem os processos de ressurreição de qualquer empresa é um serviço a favor dos empresários inescrupulosos que em nada engrandecem nosso mercado e pior se aproveitam do momento para faturar ainda mais.

Levys e Tanures não são dignos da grandiosidade da Gazeta Mercantil, por isso deveriam deixar que ela morra em paz e viva como lembrança na mente de uma geração de publicitários brasileiros.