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Mídias, encantem-se com as compras

Segunda-feira, Agosto 3rd, 2009

Há quem defenda que o ato de comprar satisfaz uma necessidade de todo ser humano, seja ele de que gênero (homem/mulher) ou classe social (rico/pobre). Portanto, na propaganda, o profissional de mídia é uma pessoa realizada, afinal é sua responsabilidade efetuar as compras dos anunciantes junto aos veículos de comunicação.

Por essa lógica os profissionais de mídia são pessoas felizes. Passam a vida pensando na melhor compra e onde seu dinheiro vale mais. Para tanto se cercam de um conjunto de ferramentas que os ajuda a fazer a escolha certa. Nesse processo nem sempre os mídias agradam a todos. Aqueles que não foram brindados com um pedaço da verba sentem-se prejudicados e tendem emitir juízo de valores sobre a capacidade do profissional de mídia.

Além da compra amparada por aspectos técnicos, os mídias são privilegiados porque podem acompanhar a trajetória de suas compras e, em alguns casos, observar as reações das outras pessoas sobre sua decisão.

Tudo isso deveria fazer do mídia um profissional de propaganda feliz. Deveria.

Longe de considerar que os profissionais de mídia são pessoas tristes, mas o fato de passarem a vida comprando não alivia a pressão e a cobrança sobre o melhor investimento. Quanto mais crescem profissionalmente, mais oneram as suas compras e quanto maiores as verbas, menos veículos são contemplados e isso provoca contrariedade, crítica e juízos de valores.

Além disso, há outro fator. A hegemonia da mídia no Brasil (TV Globo e Editora Abril) não faz da aquisição de espaços publicitários uma atividade criativa ou cheia de ousadias e riscos, pelo contrário, um mídia pode passar toda a sua vida profissional comprando sempre a mesma coisa e, pasmem, isso é a regra, não a exceção.

Comprar, nesse caso, se torna um ato repetitivo, sem as emoções típicas dos grandes lances. Um patrocínio do futebol ou da Fórmula 1 é um ato burocrático. O comprador é o mesmo e o vendedor, invariavelmente, também. Não há surpresas.

Os profissionais de mídia percebem a chegada das novas mídias e a mudança do consumidor em relação a elas, mas são incapazes de impor essa realidade em um cenário engessado, vinculado aos números absolutos de audiência que afastam os investimentos de tudo que é diferente. Dessa forma, é difícil ser feliz, mesmo com dinheiro.

As compras precisam encantar, caso contrário tornam-se um ônus. Os futuros profissionais de propaganda, principalmente aqueles dedicados à mídia, mídia necessitam de um dose diária de encantamento, sob pena de tornarem-se profissionais dispensáveis no processo de produção da propaganda.