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Beyoncé e a faixa da Nestlé

Segunda-feira, Fevereiro 8th, 2010

No último sábado fui assistir ao show de Beyoncé. Na verdade um pacote promocional do tipo “pague 1 e leve 2″, porque a apresentação da americana foi antecedida pela presença no palco de Ivete Sangalo e as duas foram maravilhosas, esbanjando talento e simpatia.

No entanto, mesmo em momentos como esse, que sugerem entrega total ao divertimento é impossível não fazer considerações sobre as privações a que nós brasileiros somos submetidos.

Vamos começar pelo Estádio do Morumbi, um patrimônio do São Paulo Futebol Clube, orgulho de seus torcedores, mas completamente desprovido de qualquer condição de abrigar uma partida de futebol, quanto mais um espetáculo musical.

O Morumbi é uma vergonha arquitetônica. Quando chove (um pleonasmo para os dias de hoje em São Paulo) as águas da arquibancada superior escoam por canos projetados sobre as acomodações inferiores. E, mesmo depois da chuva, essa água continua escorrendo por, cronometradas, duas horas.

Os serviços de alimentação, elementares para qualquer espetáculo público, seja esse de futebol ou música, são risíveis, primários, comparáveis a uma festa junina de alunos do ensino fundamental de uma escola pública na periferia de cidades brasileiras.

Esquecem os administradores desses locais que os freqüentadores correm o risco de sentirem necessidades fisiológicas, dessas comuns como xixi e coco, e por isso, só por isso há a necessidade de manter banheiros (vou abrir mão do “limpo”) para atender essas necessidades.

O Morumbi, gostem ou não os paulistanos e, principalmente, os são-paulinos, não reúne nenhuma condição para receber um jogo de Copa do Mundo entre os selecionados de Gana e Costa Rica, quanto mais pleitear ser a sede da abertura dos jogos de 2014.

Fomos ao estádio de táxi, exercitando a civilidade possível diante de um local da cidade completamente carente de transporte público (não vou exigir “de qualidade” para não pressionar nosso incipiente, incolor e inodoro Prefeito Municipal). Na chegada se enfrenta situações normais (?) para um local que irá receber 60 mil almas, dessas que fazem xixi e coco, mas a surpresa estava na saída.

Mais uma vez civilizados, procuramos os portões de saída na execução da última música afim de evitar os congestionamentos. A visão de uma das avenidas de acesso ao estádio era um colírio para os olhos, dezenas (quem sabe, centenas) de táxis. São Paulo, a maior cidade da América Latina, não iria nos decepcionar e, mesmo depois de todas as dificuldades, teríamos um retorno ao lar tranqüilo depois das duas emocionantes apresentações.

Subimos a rua consultando os taxistas sobre sua disponibilidade e as informações davam conta de que estavam lá aguardando os passageiros agendados. Sublime civilidade. Parcela significativa das 60 mil almas, dessas que fazem xixi e coco, havia reservado táxi para o retorno, um exemplo de previdência.

Já quase no que se pode chamar de “altos do Morumbi” encontramos um taxista carente de reservas e disposto a denunciar a picaretagem desses bandidos que prestam um serviço público e se aproveitam de um poder incipiente, incolor, inodoro e incompetente, liderado pelo Prefeito Municipal. Os safados encostados nos carros brancos com chapa vermelha não aguardavam ninguém, na verdade esperam a avenida congestionar para propor corridas com preço fechado aos incautos cidadãos que diante da falta de outras opções se rendem ao estelionato promovido por esses pilantras.

Esse Bloganda está encaminhando a denuncia à SPTrans, um desses incipientes, incolores, inodoros e incompetentes órgãos públicos. Vamos ver no que dá.

Antes das apresentações decidi que esse artigo seria sobre essa experiência. Já dentro do estádio, mas ainda sem fome ou vontade de fazer xixi, pensei em alertar para a importância de se patrocinar eventos dessa magnitude e como as empresas brasileiras exploram mal esse tipo de oportunidade. Me chamava atenção uma faixa de péssima qualidade da Nestlé, mal instalada em uma das torres de controle da luz. Um deserviço para a marca. Me passou pela cabeça que se esses caras fazem uma porcaria dessas em uma faixa com o logotipo à vista de 60 mil pessoas, imagina como fazem os produtos que ninguém olha e que são consumidos na confiança de uma suposta qualidade.

Diante de todas as dificuldades impostas por um local carente e um Estado inexistente, a faixa da Nestlé perdeu relevância. De uma certa maneira os patrocinadores já perceberam a armadilha que é patrocinar eventos no Brasil por isso adequam sua participação às condições existentes. Afinal quem dá importância para a faixa da Nestlé.

O melhor aluno do curso de propaganda da sua faculdade

Segunda-feira, Março 23rd, 2009

O Bloganda é uma idéia original que só se tornou realidade com a participação do publicitário Nelson Santana. Quando foi chamado para participar desse projeto o Nelsinho era um aluno do curso de propaganda, o melhor aluno do curso de propaganda da sua faculdade.

Há duas semanas o publicitário Nelson Santana se formou no curso de Publicidade e Propaganda da UNIMONTE em Santos, São Paulo. Na cerimônia de colação de grau ele foi homenageado pela instituição de ensino que conferiu ao Nelsinho uma placa como o Melhor Aluno do Curso de Propaganda.  A honraria, absolutamente merecida, me inspirou a pensar sobre a iniciativa e seu significado.

Muitos alunos de publicidade recebem prêmios durante seus cursos, o próprio Nelson foi vencedor da Expocom regional e nacional, além de concursos internos. Durante os anos de faculdade alguns dos prêmios mais cobiçados são os oferecidos pela APP – Associação dos Profissionais de Propaganda. Todos enchem de orgulho os vencedores além de colaborar, em muito, com a auto-estima pessoal, um aspecto fundamental na formação do profissional de propaganda.

Ao admitir que no universo de alunos matriculados nos cursos de publicidade existem pessoas com diferentes potenciais para o exercício da atividade profissional, a UNIMONTE nos premia com algo raro na sociedade brasileira contemporânea: a meritocracia.

Na propaganda nos diferenciamos pelo mérito. Somos os maiores ativos que uma agência de propaganda pode ter. Apesar das sedes bonitas e dos equipamentos de última geração, são os publicitários que fazem toda a diferença.

Nas escolas acontece o mesmo fenômeno. Os bons estudantes de propaganda, talentosos e empregados, fazem toda a diferença para os planos de consolidação de uma faculdade de publicidade, muito mais, acreditem nisso, que os tão badalados laboratórios.

Toda a faculdade tem o seu melhor aluno do curso de publicidade e propaganda. Os estudantes devem identificá-lo e os professores devem incentivá-lo. Ao mercado cabe o papel de fazer dessa promessa uma realidade oferecendo as melhores condições de desenvolvimento profissional.

Se todos exercerem seu papel nessa cadeia de formação profissional, cada vez mais teremos melhores alunos de publicidade e propaganda e cada vez mais teremos melhores profissionais de propaganda. Para isso é preciso reconhecer a importância do mérito e abrir mão da infantil idéia de injustiça que costuma povoar as análises de alunos e professores sobre os resultados de disputas como o Concurso de Trabalhos de Conclusão de Curso da APP, Festival de Jingle do Fest’up, Festival de Cartazes do Fest’up, Expocom entre outros.

O melhor aluno do curso de publicidade e propaganda da sua faculdade existe e isso é um fato. A novidade é que ele pode ser você.