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A fórmula do sucesso e o doce sabor do autoritarismo

Segunda-feira, Abril 13th, 2009

A atual fórmula do sucesso para garantir espaço na mídia brasileira é falar que todos os males que afligem o Brasil tem origem na atividade publicitária.

A equação é simples. Primeiro se seleciona um tema de grande apelo social, por exemplo, as bebidas alcoólicas, a obesidade infantil, a violência dos adolescentes etc… Depois se procura na internet uma tese acadêmica que aborde o tema. Não interessa o pesquisador, seu orientador, a escola em que estuda ou onde ela fica. O que interessa é malhar a propaganda. Sim, caso o leitor não saiba, todas as teses acadêmicas, de mestrado ou doutorado, que abordam temas de grande sensibilidade junto à sociedade brasileira, trazem um capítulo sobre propaganda e sua influência maléfica sobre as pessoas.

Dessa forma, temos o tema e um pesquisador. Mas ainda está faltando um elemento para completar a equação do sucesso e o espaço garantido na mídia. Então, que tal um militante de ONG?

Essas são figuras fáceis. Sempre dispostos a emitir uma opinião, ainda mais quando acompanhados do pesquisador, não se furtam de responsabilizar a propaganda como provedora dos infortúnios brasileiros.

Resta ainda a participação de um parlamentar e isso nós temos de sobra no Brasil. São 513 Deputados Federais e 81 Senadores e dentre essas 594 pessoas, sempre existe uma disposta a endossar o coro do pesquisador e da ONG.

Está pronto o sarapatel. T+P+MP+PP= EM. Ou seja, Tema + Pesquisador + Militante Profissional + Político Profissional é igual a Espaço na Mídia. E como tem espaço na mídia para as besteiras que se fala sobre propaganda! Todo o dia tem um “paladino da justiça” para dizer o que a população brasileira pode ou não pode assistir e tudo em nome da preservação do estado emocional da criança que não pode ver na televisão, o que é obrigada a vivenciar, todos os dias, nas ruas brasileiras.

Não podemos mais aceitar esse tipo de situação. A proteção à criança não é prerrogativa de meia dúzia de interesseiros dispostos a ganhar dinheiro com o discurso fácil contra a propaganda. A atividade publicitária é um assunto sério que não pode ficar a reboque do pensamento totalitário e reacionário das ONGs ávidas por financiamento para a produção de pseudos estudos sobre a influência da publicidade.

Antes de embarcar na canoa mal intencionada das ONGs que protegem as crianças da propaganda (vejam o absurdo), procurem saber quem está por trás dessas organizações e não se surpreendam em encontrar os mesmos atores que promoveram e apoiaram no Brasil, por mais de 20 anos, o cerceamento das liberdades através da ditadura militar, tendo como argumento a preservação dos valores da sociedade. Igualzinho como agora.

Às voltas com a escravidão

Segunda-feira, Abril 6th, 2009

“Atletas do Flamengo sofrem, mas dão exemplo de profissionalismo” essa foi a manchete do Caderno de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, do dia 19 de março de 2009. Sim 2009.

Bem vindos à escravidão. Convencidos de que não há melhor regime nas relações de trabalho do que a escravidão, os jogadores de basquete do Clube de Regatas Flamengo, optam, portanto voluntariamente, pelo trabalho não remunerado em troca das migalhas do sucesso.

Difícil equação. Esqueceram de avisar-lhes que o basquete não traz nenhum sucesso nesses trópicos a não ser que você chore compulsivamente por qualquer motivo, seja candidato a cargo público e tenha o beneplácito da principal emissora de televisão do país. Nesse caso e só nesse caso, você pode se chamar Oscar e ser tratado como uma espécie de Bobo da Corte.

Caso contrário, seus dias de glória são tão efêmeros quanto a matéria do jornal paulistano que tentava estabelecer uma relação entre a humilhação e o profissionalismo.

Não é objeto desse Bloganda o trato das questões do trabalhismo desportivo, mas está inserido na matéria um dos piores conceitos do mundo capitalista: o sacrifício pelo trabalho. Uma besteira, que devemos tratar nesse espaço porque encontra eco, até mesmo, na atividade publicitária.

Pensamos e nossos empregadores nos fazem pensar, que devemos algo a quem compra nossa capacidade de trabalho. Pois não devemos nada. Muitas vezes somos credores, quando colocamos nosso talento a serviço da empresa com competência e ética, não necessariamente nessa ordem.

Quando pensamos que devemos, por falta de talento, competência ou ética, nossos contratantes têm todo o direito de dispensar nossos desserviços e contratar outro melhor. Portanto não há dividas nas relações trabalhistas. Trabalhamos porque essa é a forma de sobrevivermos.

Portanto ninguém joga basquete porque gosta. Joga, de maneira profissional para sobreviver e deposita no exercício dessa atividade talento, competência e ética ou a falta de talento, a pouca competência e a inexistência da ética. Essa última situação parece que se aplica aos jogadores do Flamengo.

Não é exemplo de nada trabalhar sem receber, quando se devia receber. Isso não significa o descrédito no trabalho voluntário e militante. Esse é justo e, de preferência, deve ser exercido em conjunto com as atividades remuneradas, porque só dessa forma se mantém ético.

Quando os jogadores de basquete do Flamengo decidem continuar jogando e conquistando títulos sem a remuneração combinada com o clube, estão incentivando um tipo de sociedade contra a qual nós, seres humanos e, portanto equipados de inteligência, lutamos há muitos e muitos anos.

Os futuros profissionais de propaganda devem estar alertas contra a falsa idéia de que no começo da carreira tudo é válido para a conquista de um lugar ao sol no disputado mercado de trabalho. Todos, sem exceção, irão trabalhar muitas horas por dia, jantar muita pizza nos escritórios, refazer muitas vezes a mesma coisa, ouvir muita bronca de chefe, sofrer algumas injustiças, engolir uma infinidade de sapos, mas tudo isso no limite da ética. Recebendo o que foi inicialmente combinado. Nunca de graça.

Cuidado com a exploração da sua força de trabalho. Isso é assédio moral, isso é escravidão e, em nada se aproxima do divulgado profissionalismo que o jornal O Estado de S. Paulo reputou aos atletas do Flamengo.