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Pois não vale é nada

Segunda-feira, Abril 20th, 2009

Alegando enxugamento da estrutura administrativa para adequação à nova realidade econômica mundial, a Vale (ex-Rio Doce) extinguiu quatro diretorias e mandou embora seus responsáveis.

Não Vale

Foram extintas as diretorias de Gestão e Sustentabilidade, Meio Ambiente, Comunicação e Recursos Humanos, todas, na visão da empresa, sem importância para o atual momento. Segundo a Vale (ex-Rio Doce), essas atividades podem ser assumidas pelas diretorias remanescentes.

Esse é o espírito da empresa que em época das vacas gordas ocupou grandes espaços na mídia espontânea nacional como um exemplo de eficiência administrativa e gestão corporativa. Ousou, diante de tamanha badalação, mudar o próprio nome e, convencida por estrelas da propaganda nacional, adotou uma corruptela de sua denominação original. Agora somos a Vale, somente Vale. Isso é moderno.

Não satisfeitos em negar o próprio nome, seus dirigentes apostaram na propaganda televisiva. A Vale (ex-Rio Doce) deve ser um caso inédito no mundo todo. Uma mineradora que ocupa grandes espaços da mídia paga, em televisão, no horário nobre, ao som de um sucesso nacional. Para vender o que? Minério?

Como sempre acontece nesses casos, a produção foi primorosa. Tomadas aéreas, gruas para todos os lados, contra luz e tudo mais de recursos previstos ou não no orçamento inicial e que fizeram do filme de 1 minuto e sua versão de 30 segundos, obras  cinematográficas.

Outra característica comum a essas produções publicitárias, é a ‘Síndrome dos Braços Abertos’, doença que acomete diretores de criação quando desenvolvem trabalhos para anunciantes que não tem nada para dizer. A ‘Síndrome dos Braços Abertos’ apresentou funcionários da empresa, no caso a Vale (ex-Rio Doce), de braços abertos olhando para câmera entoando ou fingindo entoar a trilha do filme.

A imagem foi a síntese da mensagem: “não temos nada para dizer para você”; “não há registro no mundo de uma mineradora que tenha feito um anúncio publicitário para ser veiculado na novela”.

O autor do clássico nacional, trilha do anúncio, se fosse vivo, daria uma grande gargalhada e acenderia um baseado para comemorar a babaquice da agência em criar o filme e do anunciante em bancar sua produção, só para que meia dúzia de atores de braços abertos entoasse o refrão ‘Vale tudo!’.

E a Vale Tudo (ex-Rio Doce) da demonstração inequívoca aos críticos de que a trilha, além de embalar os braços abertos, é uma palavra de ordem seguida por sua diretoria, portanto o que assistimos há alguns meses atrás não era propaganda enganosa. Vale Tudo mesmo!

Vale dispensar os responsáveis por diretorias que são criadas para atender demandas de assessoria de imprensa. Vale ‘dar de ombros’ para a sustentabilidade e meio ambiente, modismos que não fizeram a grandeza da indústria e nem farão a diferença. Vale investir recursos nas minas insalubres a investir recursos nos humanos e, por fim, Vale acabar com a diretoria de comunicação, afinal não havia nada mesmo para ser dito. Vale Tudo!